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A taxa das blusinhas caiu. Como fica o seller brasileiro?
Confira as principais mudanças

Quando o governo criou a chamada “taxa das blusinhas”, a narrativa era sobre proteger a indústria nacional da concorrência asiática e equilibrar a disputa tributária entre sellers brasileiros e plataformas internacionais.
Agora, menos de dois anos depois, o movimento foi revertido.
Compras internacionais de até US$ 50 voltaram a ter imposto federal zerado. O ICMS estadual continua existindo, mas a remoção dos 20% federais muda novamente a dinâmica competitiva do e-commerce brasileiro.
Mas como fica o seller brasileiro quando o produto importado volta a ganhar competitividade?
Existe um lado óbvio nessa discussão: empresas estrangeiras conseguem produzir com custos muito menores, especialmente em categorias como moda, acessórios, utilidades domésticas e eletrônicos de baixo valor agregado.
Na prática, isso aumenta a pressão sobre sellers brasileiros que já operam em um cenário difícil, com carga tributária alta, logística cara, juros elevados e margens apertadas.
Enquanto isso, plataformas internacionais conseguem entregar produtos extremamente baratos para o consumidor brasileiro com velocidade, escala e cada vez mais eficiência operacional.
Por isso, é natural que parte da indústria reaja dizendo que existe concorrência desleal. E, em alguma medida, existe mesmo. Mas talvez exista um segundo efeito dessa mudança que pouca gente está discutindo: o produto barato também aumenta audiência dentro dos marketplaces.
E é sempre bom lembrar: preço baixo atrai tráfego, uma das forças mais importantes do varejo digital.
Quando plataformas como Shopee, Shein, Temu e AliExpress aumentam atratividade de preço, elas aumentam também:
recorrência
volume de buscas
tempo de navegação
frequência de compra
curiosidade do consumidor
descoberta de novos produtos.
É a lógica clássica do shopping center: muitas vezes a loja “âncora” não é a mais lucrativa individualmente, mas ela aumenta o fluxo de pessoas para todas as vitrines ao redor.
Nos marketplaces, isso pode gerar um efeito parecido.
Mesmo sellers nacionais que não competem diretamente com importados podem acabar se beneficiando do aumento da audiência dentro dessas plataformas. Mais consumidores navegando significa mais oportunidades de descoberta, mais compras por impulso, mais venda cruzada e mais volume circulando no ecossistema.
O problema é que isso também aumenta a régua competitiva, porque quanto mais o consumidor se acostuma com preço baixo, mais difícil fica competir apenas por produto.
E talvez esse seja o principal recado desse novo movimento: o seller brasileiro pode precisar parar de competir só em preço e começar a competir em inteligência operacional, velocidade, experiência, posicionamento, qualidade do produto, estratégia de catálogo, marca e disponibilidade local.
Quanto mais o produto vira commodity global, mais valor ganha quem consegue construir diferenciação fora do produto em si.
No fim, o consumidor provavelmente comprará mais. Os marketplaces provavelmente ganharão mais tráfego, mas nem todos os sellers vão ganhar junto. Só vai se beneficiar quem estiver atento e presente nas diversas estratégias de multicanais, que é onde o impacto acontecerá.
Os próximos anos podem separar com ainda mais clareza quem apenas vende produto de quem realmente constrói operação, marca e estratégia dentro dos marketplaces.
Curadoria da vez:
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